Desafios e possibilidades para a participação comunitária na saúde são tematizados em publicações

Dentro da linha de atuação “Educação e Cuidados em Saúde”, os integrantes do LIDHS desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão que se inspirem na proposta das Nações Unidas, assumida pelo Estado brasileiro através do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, de promoção de uma cultura universal dos direitos humanos, que abranja tanto conteúdos informativos quanto de formação para uma consciência cidadã.

Em 2016, inicou-se o Projeto de Pesquisa “Tecnologia social na educação em saúde: o vírus Zika em pauta” que busca compreender as possibilidades e limites da proposta de tecnologia social de educação em saúde no contexto Zika.

Além de pesquisas bibliográficas sobre o tema, este projeto contempla a análise de experiência extensionista desenvolvida em unidade de atenção primária no Complexo do Alemão, fruto da parceria do LIDHS com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Este Projeto de Extensão, intitulado por “Inovando práticas de prevenção e promoção da saúde a partir da análise local de vulnerabilidades à saúde, no contexto do vírus zika”, buscou de desenvolver capacidades e fomentar práticas inovadoras de prevenção e promoção da saúde, no contexto zika , além de criar condições para ampliar o leque de estratégias de mobilização para fazer face aos problemas identificados, deslocando-se da atual centralidade do controle doméstico do vetor da doença.

Confira abaixo algumas das produções dos integrantes do LIDHS no interior destes projetos de pesquisa e extensão:


Perspectiva “Potencialidades do quadro da vulnerabilidade e direitos humanos para os estudos e as práticas de prevenção às arboviroses”

“A culpa é do lixo nos quintais!” “Bastam 10 minutos para evitar as arboviroses”. A partir da crítica a ideias como essas, mormente centradas à prescrição de comportamentos e culpabilização dos indivíduos, o artigo propõe o resgate de um modelo de compreensão e de ação construído e desenvolvido a partir da epidemia de aids – o quadro da vulnerabilidade e dos direitos humanos, que desloca a volúpia prescritiva de comportamentos para um processo que incorpora e articula outras dimensões envolvidas no problema das arboviroses.

O texto nos convida a fazer perguntas e nos desafia a problematizar a questão para além do mosquito e da prescrição de medidas domésticas já que, além desses, estão envolvidas políticas ambientais e de urbanização, acesso a saneamento básico, capacidade dos serviços de saúde para desenvolver medidas de prevenção de agravos e promoção da saúde, dentre outras dimensões. Propõe-se desenvolver ações de educação em saúde que incitem a identificação de vulnerabilidades a partir das experiências concretas das pessoas nos territórios e as suas capacidades de responder a elas.

A publicação compôs a nona edição de 2020 do periódico científico Cadernos de Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz.


Ensaio “Paulo Freire e o inédito viável: esperança utopia e transformação na saúde”

Este artigo teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre o constructo inédito viável de Paulo Freire e, assim, apreender e problematizar seus sentidos, bem como explorar suas potencialidades no contexto da saúde.

A partir de uma revisão bibliográfica da obra freiriana, os autores apontam que a emergência dos inéditos viáveis resulta de complexo processo pedagógico, que vai do estranhamento da realidade à percepção crítica dos sujeitos envolvidos, a qual propicia a construção dos inéditos viáveis, como etapa que antecede a ação.

Com base nas ideias da obra freiriana de práxis, projeto, futuridade, sonho, utopia e esperança, propõe-se uma pedagogia aplicada à saúde coletiva que incorpore o inédito viável como possibilidade de transcender o adestramento técnico, baseado, exclusivamente, em conteúdos informativos, investindo, também, nas capacidades de indignação e denúncia e na construção de projetos coletivos.

A publicação compôs a primeira edição de 2020 do periódico científico Trabalho, Educação e Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fundação Oswaldo Cruz.



Figura: parte da capa do Livro "Democracia, Participação e Controle Social" (LIMA, 2020).


Capítulo no Livro “Democracia, Participação e Controle Social na Saúde”

Esta obra foi constituída a partir das comunicações orais apresentadas nas sessões temáticas do eixo “Democracia, Participação e Controle Social na Saúde” no 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Associação, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, de 24 a 29 de julho de 2018.

No capítulo “Tecnologias sociais nas práticas em saúde: a dimensão participativa em perspectiva”, integrantes do LIDHS, a partir de revisão de literatura sobre o tema, problematizam a dimensão participativa da Tecnologia Social e sua relação com o campo da saúde, apresentando as possibilidades e os limites das desta orientação teórico-práxica no desenvolvimento tecnológico para potencializar a dimensão participativa nas práticas de saúde.

Confira aqui este capítulo e os demais que compõe este livro, que foi uma realização do GT EdPopSaúde/Abrasco.


Por César Augusto Paro e Neide Emy Kurokawa e Silva

43 visualizações0 comentário